terça-feira, 23 de agosto de 2011

mapa dos afetos

Olá a todos. Com muito carinho colocamos aqui o texto que escrevemos de forma conjunta. Um texto com vários lugares, olhares e sentidos; do lugar e do não-lugar, escritos pelo pessoal da 'Nuvem' - EAD!

O mapa de afetos pra mim é o conjunto de aspectos, lugares, pessoas, memórias, percepções, que constroem o nosso sentimento e conceito de uma cidade. Ao contrário de um mapa cartográfico, é nosso mapa pessoal de um lugar, de nossa cidade imaginada, que difere de uma percepção de guia de turismo, de noticiário; são nossas expectativas e experiências que constroem tal mapa, nosso amor e nosso ódio por uma cidade, nossas preferências e desgostos... O mapa me guia pelas ruas coloridas da minha cidade, lugares onde sei que posso encontrar o que tanto procuro! Procuro? no mapa? nas minhas vontades e intuições, projetadas agora na terra que piso: o parque, a universidade, o centro cultural... será que é só isso? Meu pertencimento. Sou daqui e de todos os lugares, sou eu e você e aquele que não conheço. Daqui trago lembranças, o cheiro e o som do mar, as memórias, as decepções, as lutas, os caminhos de me achar e me perder em meio a descoberta do que entendo como viver. Meu mapa tem varias ruas, trilhas e rumos a cada lado que vou percebo que não importa onde estamos e sim o que fazemos e o que conquistamos... do campo, coxilha, fronteira, estrada, urbano ou rural todos me fazem perceber sua magia e a maneira de ver cada coisa de varias formas e olhares. Estou aqui onde o brilho do mar é quase ofuscado pela sombra de cimento. Sou do anagrama da cidade de Pelotas: sou de Pelotas de trás para frente. Pelotas ao inverso, cidade que fica ao Sul do RS. Inverso do norte do Sul maravilha. Tento transpor meus afetos. Lado B. Lado A. Não sei a que lado pertenço. Esses são meus afetos. Um dia desses encontrei um bom motivo para escrever: Distribuir poesias aos meus afetos. Não só a meus afetos conhecidos, mas meus afetos de algum dia ou de nunca ou de nunca mais, assim como meus desafetos que merecem poesia porque fazem parte de mim. Para se distribuir poesias aqui é preciso se deixar ser guiado pelos afetos, é preciso encarar o frio, é preciso que se ouça uma música divertida, é preciso que seja divertido, é preciso que seja de madrugada, é preciso que seja legalmente ilegal. Para se distribuir poesias é preciso que a Rua Anchieta seja percorrida da Catedral ao Porto, é preciso sentir a graça da XV de Novembro, é preciso correr na volta da Praça, é preciso correr riscos na zona do Porto, é preciso entrar em ruelas no bairro Areal, é preciso, é preciso, é preciso... Para se distribuir poesia não se precisa de nada, a não ser afetos. Para de distribuir poesia basta um mapa, um mapa de afetos. A idéia de mapa de afetos me parece algo que amplia o sentido de desenho de algo encoberto. Amplia porque não define um caminho ou uma imagem exata de lugar (espaço), pois se ele se apresenta no contexto do sentimento ele pode ser toda coisa sentida (num primeiro momento, específico a cada corpo(s) que sente).  Ainda tento encontrar algo familiar nessa terra gelada. Qualquer coisa que sirva para um mapa de afetos onde, hoje, tudo parece inerte. para além das imagem de carinho, grosso modo, o nome "afeto" é mais complexo, pois se estende àquilo que nos afeta, atravessa. mapear a cidade nestes sentidos, a meu ver, é traçar um exercício íntimo com a cidade, destacando seus elementos de atravessamento subjetivo. Não me prendo, eu Vôo, fixam as vivências e carrego as memórias. Cada cidade que resido, nomeio como MINHA, pertencimento, mas de onde sou mesmo? Um ser e não ser.. ando pelo mundo por lugares. e a ela sempre retorno.. com saudades, com expectativas.. olho para as ruas.. para os morros.. e sinto.. o que? Não sei.. mas a sinto de uma forma diferente que nem eu sei explicar.. a minha cidade é diferente para mim.. diferente das que somente vem e vão.. eu sou daqui.. nasci aqui.. coração tá aqui.. mas voo por ai.. Bem, para mim o mapa de afetos indica ou registra locais marcados por uma determinada memória de experiências vividas e junto com ela vem lembranças, cheiro, sabor, nostalgia, saudade, raiva ou amor, mas que parece se reinventar com o tempo já que cada momento, determinados ‘lugares’ parecem se resignificar considerando que mudamos e nos resignificamos também. INVENTO, PROCURO, ENCONTRO E ME PERCO. SÃO LUGARES QUE TEM PRA TODOS, TEM PARA OS MEUS AMIGOS E TEM SÓ PRA MIM. A cor vinho, o pássaro negro, o som das ruas, dos rios; a luz natural.

(Caxias do Sul – Natal – Itapema – Pelotas – Bagé – Porto alegre – João Pessoa – Chapecó – Santa Maria - Belém –Rio de Janeiro – Bauru – Rio Grande - Santa Cruz do Sul – Belo Horizonte).

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